Cada casa conta uma história de uma ou mais gerações. De famílias em início, a meio ou no fim de uma etapa da vida.
Cada casa pode ser a tua primeira casa ou a segunda casa que sempre desejaste ter.
É o lugar onde começaste uma vida a dois, onde nasceram os teus filhos, onde recebeste amigos, celebraste aniversários e viveste momentos que ficaram para sempre na tua memória.
Pode ser a casa onde cresceste, onde passaste a infância ou aquela que os teus pais ou avós construíram com tanto esforço.
Cada casa tem o seu charme, o seu cheiro, a sua vizinhança e as suas particularidades.
Cada casa é uma história que te diz respeito a ti.
Mas, na hora de avaliar a tua casa, as histórias não contam nem têm valor de mercado. E é precisamente nesse momento que precisas de te desapegar do valor emocional da tua casa.
O valor que damos às nossas memórias
É natural que exista uma ligação emocional à casa onde vivemos.
Ao longo dos anos, vamos criando memórias e associando determinados espaços a momentos importantes da nossa vida.
A cozinha onde se reunia a família, a sala onde se celebravam os Natais, o quarto dos filhos, a varanda onde tantas vezes se tomou o pequeno-almoço.
São detalhes que fazem parte da nossa história e que tornam aquela casa única aos nossos olhos.
Muitas vezes, quando decidimos vender, temos dificuldade em olhar para a casa como um imóvel que vai entrar no mercado.
Continuamos a vê-la como a nossa casa, com tudo aquilo que representa para nós.
E é precisamente por isso que nem sempre é fácil aceitar que o valor que lhe atribuímos possa ser diferente daquele que o mercado está disposto a pagar.
O valor emocional é pessoal. Pertence a quem viveu naquela casa e construiu ali as suas memórias.
O valor de mercado é outra coisa.
O que determina o valor de mercado de uma casa?
O que vale na hora de avaliar a tua casa é o conjunto de parâmetros que a torna semelhante ou diferente das outras casas da tua rua, do teu bairro ou da tua zona.
É a localização, a zona onde se insere, a área de que dispõe, o estado de conservação do prédio, se tem elevador, varanda ou vista e se é energeticamente eficiente.
São estas características que permitem comparar imóveis e perceber qual poderá ser o seu valor no mercado.
Duas casas na mesma rua podem ter valores muito diferentes.
Uma pode ter uma boa exposição solar, uma varanda generosa e uma vista desafogada. Outra pode estar num piso mais baixo, não ter elevador ou precisar de obras de renovação.
Mesmo que tenham áreas semelhantes, as suas características podem justificar preços diferentes.
O estado de conservação do imóvel, a qualidade dos acabamentos, a distribuição dos espaços e as condições do edifício são também fatores importantes.
E, naturalmente, é necessário perceber o que está a acontecer no mercado naquele momento.
Que imóveis semelhantes estão disponíveis? Por que valores estão a ser anunciados? Quais foram os preços efetivamente praticados em vendas comparáveis?
É a análise destes elementos que permite chegar a uma avaliação fundamentada.
A nossa casa nem sempre vale aquilo que imaginamos
Quando chega o momento de vender, é frequente os proprietários terem uma ideia muito própria do valor da sua casa.
Por vezes, essa expectativa está relacionada com o preço que pagaram pelo imóvel, com as obras que realizaram ou com o investimento que fizeram ao longo dos anos.
Outras vezes, está simplesmente relacionada com a ligação emocional que mantêm com aquele espaço.
É compreensível.
Mas o comprador que visita a casa não conhece necessariamente a sua história.
Não sabe quantos aniversários foram celebrados naquela sala, quantas conversas aconteceram à volta da mesa ou quantas memórias estão guardadas naquelas paredes.
O comprador olha para a casa de uma forma diferente.
Procura perceber se a localização lhe interessa, se a área corresponde às suas necessidades, se gosta da distribuição dos espaços e se o preço faz sentido quando comparado com outras opções disponíveis.
Pode apaixonar-se pela casa, tal como tu te apaixonaste um dia.
Mas vai construir nela as suas próprias memórias.
E é importante compreender que a história que a casa tem para ti não será necessariamente a razão pela qual outra pessoa estará disposta a comprá-la.
Vender uma casa também é saber desapegar
Vender uma casa pode ser uma decisão muito emocional.
Por vezes, significa fechar um capítulo da vida, deixar para trás uma rotina ou despedir-nos de um lugar que fez parte de nós durante muitos anos.
E esse processo nem sempre é simples.
Mas, quando tomamos a decisão de vender, precisamos de conseguir separar aquilo que sentimos daquilo que o mercado nos diz.
Definir um preço acima do valor de mercado apenas porque a casa tem um significado especial para nós pode dificultar a venda.
Um imóvel colocado no mercado por um valor desajustado pode permanecer anunciado durante mais tempo e acabar por perder o interesse dos potenciais compradores.
Por isso, é tão importante olhar para a venda de uma casa com alguma distância emocional.
Não significa desvalorizar tudo o que ali vivemos.
Significa apenas reconhecer que as nossas memórias não podem ser incluídas no preço de venda.
A importância de uma avaliação profissional
Uma avaliação imobiliária deve ser feita com conhecimento do mercado, experiência e critérios objetivos.
O papel de um consultor imobiliário não é simplesmente confirmar o valor que o proprietário gostaria de receber.
É analisar o imóvel, estudar a concorrência, compreender a procura e apresentar uma opinião fundamentada sobre o seu posicionamento no mercado.
Nem sempre essa opinião corresponde às expectativas iniciais do proprietário.
Mas uma avaliação realista é essencial para definir uma estratégia de venda adequada.
A confiança entre o proprietário e o consultor é, por isso, fundamental.
É importante ouvir, esclarecer dúvidas e compreender que o objetivo de uma avaliação não é retirar valor à casa, mas encontrar o preço que melhor corresponde às suas características e às condições do mercado.
As memórias ficam connosco
Uma casa pode mudar de proprietário, de decoração e até de configuração.
Pode ser renovada, transformada e adaptada a uma nova família.
Mas as memórias de quem ali viveu não desaparecem com a venda.
Continuam a fazer parte da nossa história.
E talvez seja essa a melhor forma de encarar a decisão de vender uma casa: compreender que estamos a transmitir um imóvel, não as experiências que nele vivemos.
Essas continuam a pertencer-nos.
Na hora de vender a tua casa, não confundas valor emocional com valor de mercado.
Pergunta aos consultores imobiliários quanto vale a tua casa.



